Indústrias com CLPs antigos: como decidir entre retrofit e troca completa

Indústrias com CLPs antigos: como decidir entre retrofit e troca completa

A automação industrial convive com um paradoxo: a transformação digital avança, mas muitas plantas permanecem operando com CLPs antigos que sustentam processos críticos há décadas. Esses controladores seguem robustos, porém enfrentam obsolescência de hardware, escassez de peças, limitações de comunicação e riscos crescentes de indisponibilidade. Decidir entre retrofit de CLPs e troca de CLPs é, portanto, uma decisão estratégica. Exige avaliar custo de modernização, impacto no tempo de parada, metas de eficiência operacional e requisitos de confiabilidade de processos e segurança. Este artigo apresenta um guia objetivo para apoiar gestores e equipes técnicas na escolha mais adequada ao contexto de cada indústria.

O que fazer com os CLPs antigos instalados nas indústrias

Manter o legado sem plano implica aceitar riscos: dificuldade de obter sobressalentes, dependência de poucos especialistas, incompatibilidade com novas redes industriais e carência de recursos de diagnóstico. Ao mesmo tempo, substituir tudo de uma vez pode ser inviável em indústrias menores, em que o custo de modernização e a parada de produção pesam no caixa. A primeira ação é mapear o parque instalado (modelos, versões, cartões de E/S, redes, criticidade dos processos) e quantificar riscos e oportunidades: quais áreas sofrem mais paradas? Onde um upgrade traria ganhos rápidos em qualidade, energia e segurança? Esse diagnóstico embasa um roteiro escalonado de modernização, em que retrofit e substituição podem conviver.

Retrofit de CLPs: conceito, viabilidade, vantagens e limitações

O retrofit estende a vida útil do sistema ao incorporar melhorias compatíveis com a base existente: troca de CPU por versão mais atual, adoção de gateways para Modbus/TCP, Profibus, Profinet ou Ethernet/IP, atualização de IHMs e padronização de lógica. A principal vantagem é reduzir investimento e risco de comissionamento, preservando painéis, fiação e instrumentação. Em geral, é possível agregar melhores diagnósticos, alarmística estruturada e coleta de dados para manutenção preditiva, elevando a confiabilidade de processos.
Há, porém, um teto técnico: limitações de memória e processamento, recursos restritos de cibersegurança, e dificuldade de validar requisitos modernos (SIL/PL, rastreabilidade) em setores regulados. Se a cadeia de fornecimento está em “end of life” e a disponibilidade de peças torna-se aleatória, o retrofit deixa de mitigar o risco e pode apenas adiá-lo.

Troca completa de CLPs: quando a substituição é inevitável

A troca de CLPs torna-se a melhor opção quando a arquitetura legada impede metas de desempenho, integração ou segurança. Plataformas atuais oferecem redes determinísticas para drives, bibliotecas de motion, controle PID avançado, versionamento, diagnóstico integrado e conectividade nativa a SCADA/MES/ERP. Isso se traduz em eficiência operacional maior (menos variação, menor desperdício, partidas suaves) e melhor governança de mudanças.
Os custos incluem engenharia de migração, remapeamento de I/O, treinamento, FAT/SAT e tempo de parada. A decisão deve considerar o TCO em 5–10 anos: redução de falhas e refugos, economia de energia, corte de horas de manutenção e menor risco de indisponibilidade, não apenas o CAPEX inicial.

Habilidades essenciais para lidar com CLPs antigos

Três competências sustentam qualquer caminho. A primeira é o domínio das normas aplicáveis: IEC 61131-3 (programação), IEC 62443 (segurança cibernética), normas de segurança de máquinas (NR-12, ISO 13849) e regulatórios setoriais. A segunda é a capacidade de programação e migração, incluindo leitura da lógica legada, modularização, documentação, testes de regressão e uso de bibliotecas padrão. A terceira é a visão de arquitetura de sistemas: topologias de rede, endereçamento, intertravamentos, integração com inversores de frequência e camadas de supervisão. Equipes com essas habilidades conseguem manter o legado com segurança, integrar gradualmente novas tecnologias e reduzir riscos na transição.

Equilíbrio entre custo, eficiência e continuidade operacional

A escolha raramente é binária. Em muitos casos, vale adotar uma estratégia híbrida: retrofit de CLPs em áreas de alto risco de parada e ganho moderado, preparando o terreno para a troca de CLPs nas células com maior retorno. Critérios práticos incluem criticidade do processo, impacto de falha no cliente, disponibilidade de peças, exigências de segurança funcional e metas de dados em tempo real. O plano deve respeitar janelas de manutenção, prever reversão, padronizar programação e contemplar treinamento e comunicação com operação — fatores que reduzem o tempo de comissionamento e aceleram a captura de benefícios.

Casos práticos e integração entre CLPs antigos e novos sistemas

Em linhas de envase com controladores dos anos 1990, a adição de gateways Ethernet/IP e a atualização de IHMs viabilizam supervisão melhor e alarmes contextualizados sem reestruturar painéis. O resultado típico é queda no tempo médio de reparo e maior estabilidade de ritmo. Já em estações de bombeamento que exigem sincronismo fino e malhas mais rápidas, a troca de CLPs por plataforma moderna com rede dedicada a drives estabiliza pressão e reduz consumo de energia. Há ainda cenários híbridos: manter E/S e instrumentação, migrando CPU e comunicação, para integrar dados a um SCADA atual e preparar a migração completa em uma grande parada.

Boas práticas para planejar a modernização

Modernizar com previsibilidade requer “as-built” confiável, inventário de versões e redes, critérios claros de aceitação e testes em bancada. Padronizar bibliotecas de blocos, nomenclatura de tags e templates de telas reduz esforço futuro e erros humanos. Em modernização de automação industrial, a cibersegurança precisa ser parte do escopo (segmentação de redes, credenciais, hardening). Do ponto de vista financeiro, fatiar o projeto em marcos com resultados mensuráveis facilita aprovação e governança. Por fim, capacitar operação e manutenção acelera a adoção: quem entende os novos diagnósticos extrai valor real do investimento.

Conclusão

Não existe solução universal para CLPs antigos. Retrofit de CLPs faz sentido quando a base instalada é sólida, o risco de parada precisa ser mitigado e ganhos de diagnóstico e integração já agregam valor. Troca de CLPs é o caminho quando requisitos de desempenho, segurança, dados e suporte superam o que o legado pode entregar. A decisão ótima nasce de uma avaliação criteriosa de custo de modernização, metas de eficiência operacional e confiabilidade de processos, combinada com um plano de transição que preserve a continuidade e desenvolva competências internas.

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